Please swallow your pride if I have things you need to borrow | Margaret&Erica

O inverno não dava trégua para ninguém. O vento empurrava seu casaco para longe de seu corpo, a gravata aberta batendo contra seu peito, apenas levemente jogada por cima de seus ombros. Mantinha a cabeça abaixada, muito concentrada em tirar seus pés da neve para prestar atenção em qualquer outra coisa. Seus lábios tremiam levemente, a loira muito teimosa e preguiçosa demais para se dar ao trabalho de vestir uma roupa descente para o frio. Esperava que treinar seu voo fosse a esquentar, porém duvidava disso com o que os ventos eram fortes até quando ela se mexia lentamente. 

De vez em quando a perguntavam porquê ela não entrara no time de quadribol. Era muito boa voando, sempre concentrada e graciosa. Falava que não tinha saco para trabalho em grupo, mas a verdade era que tinha medo. Odiava ter expectativas forçadas nela, e ajudar a levar a vitória da casa nas costas era coisa demais. Apertou a vassoura mais forte entre os dedos magros, sua base sendo arrastada pela neve fofa, deixando uma trilha ao lado de seus passos. Seu corpo se arrepiou com o frio, a mão livre apertando a gravata azul com força, como se isso fosse fazer os calafrios desaparecerem.

Seu cabelo esquentava seu rosto, apenas um pouco abaixo dos ombros. Ainda estava deixando ele crescer depois das últimas férias, já que o corta toda vez que volta para casa. Escondeu a mão na nuca, a esquentando apenas um pouco com o calor de seu próprio corpo. Escondeu seus olhos atrás da franja, a ponta de seu nariz vermelha de frio. 

Finalmente chegara ao campo de quadribol, segurando a vassoura com as duas mãos e soltando o ar que não sabia segurar. O sopro congelou seus lábios, o exterior transformando sua respiração em uma nuvem branca. Colocou a vassoura no chão com carinho, a pedindo para subir e então montando nela. Com um empurrar leve das pontas de seus pés, ela subir ao ar, começando a voar levemente, mesmo que o frio a atormentasse. Odiava invernos, odiava a neve. Talvez não fosse um sentimento tão comum, mas ela apenas encontrava uma paz inexplicável com o sol quente sobre seus ombros. 

Esperava ser só mais uma manhã leve, calma, algo que ela raramente era. Apenas voar um pouco, depois ir para o café da manhã e depois se enfurnar em uma das salas do colégio, as unhas arranhando as paredes de pedra e a bochecha ficando com a marca de sua própria mão depois de cochilar a aula de feitiços. Porém, não fora como ela esperava, com o que uma figura esguia se escondia entre as arquibancadas. Sentada sozinha em uma das fileiras, apenas o cabelo louro visível de onde ela voava. Lentamente, Erica desceu, voando cada vez mais perto da pessoa encolhida no meio da paisagem. Acabou por pausar alguns degraus atrás da menina sentada, levando a vassoura na mão enquanto descia. Acabou por parar ao lado da garota de cabeça baixa, ainda sem saber quem era.

- Posso chamar a enfermeira?

marauderpg:

Erica Skarsgard | Ravenclaw | Half-blood | 7th year

Daddy’s little girl sure got spice.

Nacionalidade: Sueca.

Varinha: Bétula, corda de coração de dragão, 29 cm, inflexível.

Patrono: Lobo da Neve.

History

Sua família tinha diversos preconceitos, mas o sangue trouxa não era um deles. Seu pai se casara com uma trouxa, e tivera uma extensa família com ela, da qual Erica é a mais velha. A família vinha dessa cidade no litoral da Suécia, chamada Umeá. Pais tradicionais, com costumes tradicionais e superstições tradicionais. Uma dessas sendo que o filho mais velho herdaria todos os negócios da família. O homem mais velho.

Seus pais tiveram cinco filhos, Erica e suas quatro irmãs mais novas. Todas mulheres altas, com os cabelos ondulados e claros. Todas mulheres.

Ao que sua mãe voltara do médico, com a informação de que não poderia mais ter filhos, seu pai entrara em um colapso. Erica deveria ter por volta de seis anos, com certeza não mais que isso. Havia acabado de começar a enfeitar o cabelo e provar suas primeiras amostras de maquiagem. Sorrindo em frente ao espelho, fazendo tranças no cabelo longo e loiro. E, como se tudo isso nunca tivesse acontecido, seu pai simplesmente a colocara nos braços e tirara tudo que era seu. Cortou seu cabelo, mudou suas roupas, jogou suas bonecas fora e lhe comprou bolas de basquete. Se livrara de sua maquiagem, e lhe dera bonés de natal. Ela não queria nada daquilo. Tentara mudar, mesmo sem nada entender por ainda ser criança, mas apenas recebeu gritos e chutes na parede em troca de seus pedidos. Se contentou com encostar a cabeça no balcão da cozinha, observando as irmãs crescendo e comprando vestidos, se maquiando e fazendo tranças.

Acabara por se descobrir lésbica, o que poderia ou não ter a ver com a interferência do pai. Quer dizer, ele nunca a obrigara a gostar de mulheres, deixando a loira até sair com alguns garotos, quando esses não tinham medo de sua aparência. De qualquer modo, não ligava. Gostava do corpo feminino, da figura delicada e maquiada, os cabelos longos caindo pelos ombros macios. Talvez fosse por procurar o que nunca tivera a chance de ter, mas não estava atrás de respostas. Só seguiria o que a deixava feliz, e tinha a sorte de ninguém na casa dar um pio sobre isso, já que era considerada como um garoto.

Tanta era a pressão que as três irmãs mais novas a chamavam de “irmaozão”. Apenas Alexia, a segunda mais velha, que não a tratava como se o sexo em sua certidão de nascimento não significasse nada. A única que não a chamava de Eric, e sim Erica. Não podia culpar as mais novas, por não apenas sempre terem sido criadas com a imagem da primogênita dessa forma, mas também por nunca terem sido contadas a verdade. Seus pais pareciam ter esquecido quem ela era, a tratando como se tudo estivesse normal. Porque, para eles, estava. Ela chorava para dormir, as paredes de seu quarto eram descascadas e rabiscadas graças às noites sem sono e a raiva constante. Ela queria ser uma menina. Ela era uma, e queria que a tratassem como uma.

A notícia de que era uma bruxa assim como o pai viera como um alívio. Ela poderia passar o ano inteiro em Hogwarts, e mal ver aqueles que a atormentavam e pressionavam. Ficara ainda mais aliviada quando, no ano seguinte, Alexia também se descobrira bruxa. As outras irmãs acabaram por ser trouxas, mas foram igualmente acolhidas. De novo, eles tinham muitos preconceitos, mas esse não era um deles.

Ao chegar ao castelo, largara os bonés e o corte curto, deixando o cabelo crescer durante o melhor ano da sua vida. Usava a saia do colégio como sempre sonhara, suas colegas de quarto a ensinaram a passar maquiagem (mesmo que ela fosse bastante ruim nisso, ainda conseguia o básico), e vivera como sempre desejara: como uma menina.

Toda vez que voltava para casa no final do ano letivo, largava da maquiagem e prendia o cabelo dentro de um dos bonés, voltando às roupas antigas, por medo. Tinha medo dos gritos do pai, medo das lágrimas de desgosto da mãe. Ela se fazia de durona no colégio, mas por não conseguir se fazer escutada em casa.

Continuava no colégio no natal e em qualquer outro feriado, voltando para a cidade litorânea apenas quando obrigada. Tinha criado sua própria vida dentro do castelo; aquela que sempre sonhara em ter.

Personality

Cínica e trapaceira, vive fazendo piadas de mal gosto e empurrando os alunos mais novos nos corredores. Se faz de impenetrável, fria e dura, mas é facilmente magoada. Também facilmente irritável, o pavio curto a levando muitas vezes à sala do diretor. Gosta de pregar peças e pegar no pé dos mais fracos que ela, quase como um espelho do que seu pai fizera com ela, quando a mesma não tinha noção do mundo a sua volta e, como criança, seria facilmente manipulável. Adora voar, quase diariamente fazendo passeios com sua vassoura, estando entre as melhores da sua classe. Não faz parte do time de quadribol graças à sua falta de atenção e paciência, o que faz a loira mudar de assunto muito rápido e nunca conseguir levar nada ao fim. É excelente na aula de transfiguração e de história da magia, mesmo que suas preferidas sejam feitiços e aritmância. Possui uma curiosa fascinação pela astronomia, e acabara na Corvinal mais por sua capacidade de perceber detalhes em qualquer assunto que por ser um gênio infalível. Sabe reconhecer que errou, mesmo que odeie admitir quando o faz, e seu objetivo é dominar a arte de conjurar feitiços sem utilizar da varinha, para o qual caminha lentamente porém com sucesso.

Player: Ana Zeliq.

HW